Ondas de Democratização

Nesta semana, a publicação que apresentaremos será sobre o conceito de “ondas de democratização”. O que é uma onda de democratização? Também existem ondas de desdemocratização? Em que circunstâncias elas podem ocorrer? Esses processos acompanham uma tendência mundial?
Para responder a essas perguntas, teremos a contribuição da pesquisadora do Centro de Política Comparada - CPC e graduanda em Ciências Sociais pelo Centro de Ciências Humanas e Naturais - CCHN - UFES, Maria Vitória Rodrigues.
 
De acordo com o controverso cientista político norte-americano Samuel Huntington, falecido em 2008, desde o século XIX os Estados passam por processos que transformam o modo de operar a sua política. Ser uma democracia é considerado uma regra para um bom convívio com os demais países. Isso significa que é preciso possuir um regime democrático para não sofrer sanções econômicas, por exemplo, ou ser aceito em blocos econômicos.
 
Para o autor, é possível identificar tendências mundiais em que, num determinado período, os países se tornam democráticos. O mesmo se aplica para o caminho reverso, quando um conjunto de países transitam de um sistema democrático para uma ditadura. Essa tendência é chamada de "onda".
 
A primeira onda de democratização foi longa e ocorreu no período de 1828 à 1926, compreendendo mais da metade do século XIX e o pós-1ª Guerra Mundial. Logo em seguida, houve onda reversa (desdemocratização) no período de 1922 à 1942, momento histórico do surgimento de regimes autoritários como o nazismo, sob a liderança de Hitler, na Alemanha, e o fascismo, na Itália, que teve em Mussolini seu principal expoente.
 
A segunda onda de democratização ocorreu de forma rápida, como uma onda curta, de 1943 à 1962, iniciada após a 2ª Guerra Mundial. Assim como ocorreu com a primeira onda, a desdemocratização também ocorreu em seguida, entre 1958 e 1975, abrangendo o período da Guerra Fria e parte do regime militar brasileiro.
 
Já a terceira onda de democratização, que ainda não possui ano de término, iniciou-se no ano de 1974, com a Revolução dos Cravos em Portugal. Em seguida, diversos países seguiram essa tendência e adotaram a democracia como regime de governo, sobretudo os países latino-americanos e africanos.
 
Seria possível arriscar, como querem alguns analistas, que estamos adentrando na 3ª onda reversa de democratização? Quais seriam as consequências das recentes guerras ocorridas nos anos 2000, no Oriente Médio, e a atual guerra na Síria? Como a democracia reagirá aos atuais governos e ascensão de candidaturas extremistas que têm surgido ao redor do mundo? Essas e outras questões são exemplos de perguntas que a teoria formulada por Huntington nos leva a refletir.
 
Aos interessados na teoria das ondas de democratização, o passo inicial deve ser a leitura dos seguintes textos:
  • HUNTINGTON, Samuel. A terceira onda: a democratização no final do século XX. São Paulo: Ática, 1994.
  • HUNTINGTON, Samuel. “Democracy’s Third Wave”. Journal of Democracy, Vol.2. No.2, 1991.
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